Não existem emoções boas ou ruins: existem emoções agradáveis e desagradáveis de sentir. Todas têm uma função. Assim como a febre avisa que algo está acontecendo no corpo, as emoções trazem mensagens sobre você e sobre o ambiente. O problema costuma estar no que fazemos com elas, não nelas. E dar nome ao que se sente já ajuda a baixar a intensidade.
Desde crianças, aprendemos que alegria é boa e que raiva, tristeza e medo são ruins. Para quem tem Borderline e sente tudo com muita força, essa ideia costuma virar uma guerra contra as próprias emoções. E é uma guerra que ninguém ganha.
A emoção é como a febre
Imagine que você acorda queimando de febre. A febre é a doença? Não. É um erro do corpo? Também não. Ela é um sinal de que algo precisa ser investigado. Sem ela, talvez você nem soubesse que havia um problema.
As emoções funcionam de um jeito parecido. Elas não são um defeito do seu sistema nem sinal de que você está quebrada. São avisos. Quando tentamos esconder, ignorar ou abafar esses avisos, a mensagem não desaparece: ela costuma voltar mais forte, até ser ouvida.
O que pode ser ruim não é sentir raiva. É, por exemplo, agredir alguém por causa dela.
Agradáveis e desagradáveis, em vez de boas e ruins
É claro que algumas emoções são gostosas de sentir e outras não. Chamar de "agradáveis" e "desagradáveis" é mais fiel à realidade, e não coloca você contra o que sente.
Quando a emoção desagradável aparece, é tentador buscar um alívio rápido: comprar, comer, rolar a tela, usar substâncias. Funciona na hora, como um antitérmico que baixa a febre por algumas horas. Mas, se a causa não foi cuidada, a emoção volta, e o ciclo recomeça.
O que cada emoção faz no corpo
- Raiva: o coração acelera e a energia aumenta. Bem usada, ajuda a se defender de injustiças e a colocar limites.
- Medo e ansiedade: o corpo se prepara para fugir, se defender ou, às vezes, congelar diante de uma ameaça.
- Alegria: aumenta o entusiasmo e a disposição.
- Tristeza: a energia diminui e a pessoa se recolhe. Isso também tem função: dá tempo para refletir, se recompor e, no luto, sentir a falta de quem se foi.
- Surpresa: os olhos se abrem para captar mais informação sobre algo inesperado.
- Nojo: protege de algo que pode fazer mal, como um alimento estragado.
Não dá para controlar quando uma emoção vai aparecer. O que se aprende é a escolher como responder a ela.
As três funções das emoções, segundo a DBT
Marsha Linehan, criadora da Terapia Comportamental Dialética (DBT), descreve três funções principais:
- Comunicar. Por dentro, mostram nossas necessidades e limites. Por fora, sinalizam aos outros como estamos.
- Motivar a ação. Nos preparam para agir rápido, muitas vezes para nos proteger.
- Validar a experiência. Confirmam que algo importante está acontecendo, unindo corpo e mente.
Conheça a história dela em Marsha Linehan: a história de quem criou a DBT.
Dar nome ao que se sente
Quando alguém pergunta como você está, a resposta costuma ser "bem", "mal" ou "mais ou menos". É como levar o carro ao mecânico e dizer só "está ruim". Quanto mais genérico o rótulo, mais difícil saber o que fazer.
Pesquisas sugerem que nomear a emoção com precisão, como "frustração" em vez de só "raiva", ajuda a reduzir a ativação da amígdala e a envolver o córtex pré-frontal. É um atalho para baixar a intensidade. E cada emoção pede um caminho diferente: o que ajuda na raiva não é o mesmo que ajuda no medo ou na tristeza. Para um passo a passo prático, leia como regular emoções intensas em 3 passos.
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Este texto é informativo e não substitui avaliação profissional.
Perguntas frequentes
Existem emoções boas e ruins?
Não. Existem emoções agradáveis e desagradáveis de sentir, e todas têm uma função. O que pode trazer problemas é a forma como reagimos a elas.
Para que servem as emoções?
Segundo a DBT, elas comunicam necessidades e limites, nos preparam para agir e confirmam que algo importante está acontecendo.
Por que reprimir as emoções não funciona?
Porque a mensagem que a emoção traz continua lá. Reprimir pode aliviar por um tempo, mas a emoção tende a voltar mais intensa.
Nomear a emoção ajuda mesmo?
Ajuda. Identificar com precisão o que se sente ajuda a reduzir a intensidade e a escolher a estratégia certa para aquela emoção.
Referências
- Linehan, M. M. Treinamento de Habilidades em DBT: Manual do Terapeuta. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2018.
- Lieberman M. D. e colegas. Putting feelings into words: affect labeling disrupts amygdala activity in response to affective stimuli. Psychological Science, 18(5), 421–428, 2007.

