Marsha Linehan é a psicóloga americana que criou a Terapia Comportamental Dialética (DBT). Aos 17 anos, ela foi internada num hospital psiquiátrico, com um diagnóstico de esquizofrenia, e passou por um sofrimento intenso. Décadas depois, criou uma terapia que se tornou a abordagem com mais evidência para o Borderline. Em 2011, contou publicamente a própria história.
Muita gente que chega à DBT não sabe que ela nasceu da experiência de alguém que conheceu de perto o desespero. Conhecer essa história ajuda a entender por que a DBT olha para o sofrimento sem julgamento, e por que ela acredita tanto na mudança.
Uma jovem dada como caso perdido
Em março de 1961, aos 17 anos, Marsha Linehan foi internada no Institute of Living, uma clínica psiquiátrica em Hartford, nos Estados Unidos. Ela foi diagnosticada com esquizofrenia e recebeu os tratamentos da época, incluindo medicação pesada e eletroconvulsoterapia. Passou longos períodos isolada e se machucou muitas vezes.
Mais tarde, ela própria reconheceu que o diagnóstico de Transtorno da Personalidade Borderline teria sido mais provável. Naquela época, pouco se sabia sobre o transtorno, e menos ainda sobre como tratá-lo.
De paciente a pesquisadora
Depois da alta, Linehan estudou psicologia e se dedicou a uma pergunta: como ajudar pessoas com sofrimento emocional intenso e comportamentos suicidas, que muitas vezes eram consideradas "difíceis demais" para a terapia? Na Universidade de Washington, desenvolveu a DBT ao longo dos anos 1980. Em 1991, publicou o primeiro estudo controlado mostrando que a nova terapia reduzia comportamentos suicidas e internações em mulheres com Borderline.
Em 2011, diante de uma plateia de amigos, familiares e médicos no mesmo hospital onde tinha sido internada, ela contou sua história pela primeira vez em público. Anos depois, publicou uma autobiografia chamada Building a Life Worth Living (Construindo uma vida que vale a pena ser vivida).
A DBT nasceu de alguém que sabe o que é viver nos extremos. Por isso ela começa pelo acolhimento.
O que torna a DBT diferente
A palavra "dialética" no nome da terapia resume a ideia central: juntar dois movimentos que parecem opostos.
- Aceitação. Do que você sente e de quem você é, sem julgamento. Inclui a aceitação radical: parar de brigar com o que não pode ser mudado agora.
- Mudança. Aprender, na prática, habilidades para mudar o que tem impedido você de viver melhor.
É como atravessar uma ponte: de um lado, você se acolhe; do outro, aprende a transformar a dor em algo construtivo. A mensagem é "você não está quebrada, e pode aprender a viver com mais equilíbrio".
Na prática, a DBT ensina quatro grupos de habilidades: mindfulness, tolerância ao mal-estar, regulação emocional e efetividade interpessoal. Para saber como ela funciona no dia a dia, leia como funciona a terapia para Borderline e o que é Borderline e como a DBT trata.
Se você está pensando em se machucar ou em morrer, procure ajuda agora. Ligue para o CVV no 188 (24 horas, gratuito) ou para o SAMU no 192.
Este texto é informativo e não substitui avaliação profissional.
Perguntas frequentes
Quem criou a DBT?
A psicóloga americana Marsha M. Linehan, pesquisadora da Universidade de Washington, que desenvolveu a Terapia Comportamental Dialética nos anos 1980.
Marsha Linehan tinha Borderline?
Ela foi internada aos 17 anos com um diagnóstico de esquizofrenia. Anos depois, ela mesma reconheceu que o diagnóstico de Borderline teria sido mais provável. Ela contou sua história publicamente em 2011.
A DBT funciona?
A DBT é a abordagem com mais evidência científica para o Borderline. Os estudos mostram redução de comportamentos suicidas, de autolesão e de internações, além de melhora na regulação das emoções.
A DBT é só para quem tem Borderline?
Ela foi criada para o Borderline e para comportamentos suicidas, mas hoje também é usada em outras condições marcadas por desregulação emocional, sempre com avaliação profissional.
Referências
- Carey, B. Expert on Mental Illness Reveals Her Own Fight. The New York Times, 23 jun. 2011.
- Linehan M. M. e colegas. Cognitive-behavioral treatment of chronically parasuicidal borderline patients. Archives of General Psychiatry, 48(12), 1060–1064, 1991.
- Linehan, M. M. Building a Life Worth Living: A Memoir. New York: Random House, 2020.
- Linehan, M. M. Treinamento de Habilidades em DBT: Manual do Terapeuta. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2018.

