Sim, homens também têm Borderline. Nos consultórios, a maioria dos diagnósticos é feita em mulheres, mas um grande levantamento com a população dos Estados Unidos encontrou frequência parecida entre homens e mulheres. Nos homens, o transtorno costuma aparecer mais como raiva explosiva e impulsividade, o que faz com que muitas vezes seja confundido com outros quadros.
Durante muito tempo, o Borderline foi visto como um transtorno "de mulher". Isso fez com que muitos homens passassem anos sendo chamados de explosivos, difíceis ou até manipuladores, sem saber que estavam lidando com um transtorno real, que tem tratamento.
Uma história que se repete
Imagine o Lucas. Desde a adolescência, ele é intenso em tudo. Nos relacionamentos, se entrega por completo, mas uma mensagem que demora já traz a certeza de que vai ser deixado. O medo vira raiva, a raiva vira explosão, às vezes com coisas quebradas. Depois, sobram culpa e arrependimento. No trabalho, é dedicado, mas uma crítica pode gerar reações que parecem desproporcionais para quem está em volta.
Com o tempo, ele perde a relação que queria levar para a vida e o emprego que adorava. Acha que é "o jeito dele" e que nada vai mudar. Até que busca ajuda e descobre que o que vive tem nome: Transtorno da Personalidade Borderline. E que tem tratamento.
Homens são menos diagnosticados, não menos afetados
Segundo o DSM-5, cerca de 75% dos diagnósticos de Borderline são feitos em mulheres. Mas esse número vem principalmente de quem chega aos serviços de saúde. Num levantamento com cerca de 35 mil adultos da população geral dos Estados Unidos, a frequência foi de 5,6% entre os homens e 6,2% entre as mulheres, sem diferença significativa (Grant e colegas, 2008).
Ou seja: o transtorno pode ser tão frequente em homens quanto em mulheres, mas os homens chegam menos ao diagnóstico.
Como o Borderline costuma aparecer nos homens
Os critérios são os mesmos para todos, mas a forma de expressão pode variar. Revisões sobre diferenças de gênero indicam que, nos homens, é mais comum:
- Raiva intensa e explosiva, principalmente nos relacionamentos, com ciclos de separação e volta.
- Impulsividade com álcool, drogas, direção perigosa e sexo de risco.
- Uso de substâncias como condição associada.
- Traços antissociais junto com o Borderline, em alguns casos.
Muitos desses comportamentos são vistos pela cultura como "coisa de homem" e acabam naturalizados. Isso atrasa ainda mais a busca por ajuda e o diagnóstico correto.
Com o que o Borderline em homens é confundido
Por esses motivos, o Borderline em homens pode ser confundido com outros quadros, ou ficar escondido atrás deles, como:
- Transtorno bipolar. Veja a diferença entre Borderline e transtorno bipolar.
- Transtorno da personalidade antissocial.
- Dependência química.
- TDAH.
Às vezes essas condições existem de fato, junto com o Borderline. O problema é quando só uma delas é tratada: a pessoa pode passar anos em tratamento sem sentir a melhora que esperava.
Você não é só "explosivo" nem "difícil". Pode existir um transtorno real por trás, e ele tem tratamento.
Por onde começar
O primeiro passo é buscar uma avaliação com um profissional de saúde mental. Para o Borderline, a abordagem com mais evidência científica é a Terapia Comportamental Dialética (DBT), que ensina, na prática, a lidar com emoções intensas, atravessar crises sem piorar a situação e cuidar das relações. Para conhecer os sinais mais comuns, leia sintomas de Borderline.
Se você está pensando em se machucar ou em morrer, procure ajuda agora. Ligue para o CVV no 188 (24 horas, gratuito) ou para o SAMU no 192.
Este texto é informativo e não serve para autodiagnóstico. Só um profissional pode fazer o diagnóstico.
Perguntas frequentes
Homem pode ter Borderline?
Sim. Embora a maioria dos diagnósticos nos serviços de saúde seja em mulheres, estudos com a população geral encontraram frequência parecida entre homens e mulheres.
Por que os homens são menos diagnosticados?
Porque, neles, o transtorno costuma aparecer mais como raiva explosiva, impulsividade e uso de substâncias, comportamentos muitas vezes naturalizados ou atribuídos a outros quadros. Os homens também tendem a buscar menos ajuda em saúde mental.
O tratamento é diferente para homens?
Não. A DBT é indicada para qualquer pessoa com Borderline. O plano é sempre individual e considera condições associadas, como o uso de substâncias, que podem precisar de cuidado em conjunto com um psiquiatra.
A Clínica Fontana atende homens?
Sim. A clínica atende adultos de qualquer gênero, com psicoterapia online e equipe especializada em Borderline e DBT.
Referências
- Grant B. F. e colegas. Prevalence, correlates, disability, and comorbidity of DSM-IV borderline personality disorder: results from the Wave 2 National Epidemiologic Survey on Alcohol and Related Conditions. Journal of Clinical Psychiatry, 69(4), 533–545, 2008. Ver o estudo
- Sansone R. A.; Sansone L. A. Gender patterns in borderline personality disorder. Innovations in Clinical Neuroscience, 8(5), 16–20, 2011. Ver o artigo
- American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5. Porto Alegre: Artmed, 2014.

